Por que o Linux mesmo gratuito não supera o Windows?

por Marcos Nonaka*

Essa é a pergunta que me fizeram há algum tempo, e devido a grande repercussão que houve no assunto da matéria anterior, apresento uma teoria que aborda algumas diferenças entre esses dois sistemas, que fazem com que eles se distanciem em relação ao número de adeptos pelo mundo.

Muitos questionam por que o Linux não consegue alcançar o Windows, em quantidade de usuários, mesmo sendo gratuito e o outro, sistema pago. Para responder essa questão é preciso analisar alguns aspectos, não somente entre os dois sistemas, mas sobre a sociedade em um modo geral.

O Windows foi criado num período onde a utilização de computadores era praticamente restrita aos afixicionados e programadores, que utilizavam as máquinas através de comandos de código. Nesse período, ainda não existia uma plataforma que proporcionasse de forma fácil a interação entre as pessoas e o computador. Daí a grande revolução que ocorreu quando esse sistema foi desenvolvido, pois inovou ao criar uma interface gráfica amigável e de rápida assimilação pelo usuário, principalmente o doméstico.

Já o Linux teve como uma de suas principais causas de construção, o objetivo de permitir ao usuário maior acesso ao hardware, liberando ao máximo a utilização de recursos disponíveis na máquina. Ou seja, dando condições para que o sistema se adapte à qualquer necessidade de utilização. Não entrarei em muitos detalhes sobre as duas origens para evitar que o texto fique muito longo, então me restringirei somente às partes que expliquem essa teoria.

Analisando as formas como os sistemas surgiram é possível distinguí-los bastante. Um surgiu focado em desmistificar a utilização de computadores e outro, em proporcionar o livre arbítrio na utilização de recursos. Justamente isso é o que explicará a menor ou maior aceitação por um determinado setor da sociedade.

Como ela é composta por pessoas interessadas nas mais diversas áreas possíveis, é fato que nem sempre estará voltada para o conhecimento profundo de tecnologia computacional. O mesmo não se pode dizer quanto à busca por entretenimento, por exemplo. A grande difusão dos PCs vem justamente daí. O computador é muitas vezes encarado pelas pessoas somente como um instrumento de lazer, por essa perspectiva o Windows sai na frente, com seu vasto suporte para jogos e recursos multimídia.

O Linux é incomparável quando se trata de desenvolvimento e adaptação do sistema, portanto acaba restrito à uma pequena parcela da sociedade com interesse na área. Tanto que ganhou espaço significativo no meio empresarial, que é onde existe o maior interesse em produção de aplicativos próprios e de acordo com a necessidade. Um exemplo de sucesso do Linux no meio corporativo são os famosos servidores Apache, mas existem vários outros casos.

Para efeito de comparação apresento dois gráficos, que mostram as diferenças de quotas de mercado entre sistemas operacionais e plataformas existentes hoje. Os dados são de setembro deste ano e incluem todos os tipos de usuário, domésticos ou não. Foram recolhidos através do reconhecimento pela Web do sistema em utilização.

Comparação entre S.O.s - Set/09
Comparação entre SOs - Set/09Fonte: Net Applications

Apresento também, um gráfico de comparação entre servidores e plataformas Web. Os dados coletados são de agosto de 95 até outubro deste ano, e incluem todos os domínios existentes hoje na Web.

Comparação entre servidores - Out/09Fonte: Netcraft Ltd

É possível notar que, no comparativo entre sistemas operacionais, o Windows domina com mais de 90% dos usuários, aparecendo o Mac OS em segundo lugar, com pouco mais de 5% de mercado. Enquanto entre os servidores, o Apache, de tecnologia Linux, tem ampla maioria, perdendo algum espaço para os servidores da Microsoft a partir de janeiro de 2006. Outro destaque também fica por conta da plataforma qq.com, que subiu para quase 15% em janeiro deste ano.

Resumindo, os gráficos refletem a predominância de cada tecnologia de acordo com o meio onde está inserida. Como descrevemos anteriormente, o que prevalecerá na escolha de uma ou de outra plataforma, é a necessidade de cada usuário e a capacidade do sistema em atender aquela demanda, como nos casos entre fins comerciais e residenciais. Isso é apenas uma parte do que pode explicar a diferença questionada no título desta matéria, mas creio que seja o mais relevante sobre o assunto. O restante é mesmo como briga entre políticos de partidos opostos, torcedores de times rivais e seguidores de religiões contrárias. Obs.: Quase me esqueço de citar o gosto entre Pepsi e Coca-Cola.

Acompanhe também uma matéria sobre a nova era computacional, acessando os links abaixo.

Abraços!

* Marcos Nonaka é editor, redator e escreve para a coluna de tecnologia e informática

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3 comentários em “Por que o Linux mesmo gratuito não supera o Windows?

  1. Cada dia mais e mais pessoas vão descobrindo que o Linux não é tão difícil como é o pensamento geral. Com a penetração da banda larga, as pessoas terão mais acesso às ditros mais populares como Ubuntu, Suse e Fedora. Com uma velocidade razoável de conexão, fica mais fácil para elas terem o contato com o GNU/Linux. A adoção será questão de tempo. Aconteceu comigo, que já estou com o Ubuntu faz 2 anos, e extremamente feliz com minha escolha. Neste intervalo, passei por quase todas as distros mais conhecidas e escolhi aquela que mais atendeu às minhas necessidades.

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